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o dia em que eu senti a dor das nações

Era noite. Já passava das dez. Ao meu redor, vozes clamavam por ti. Músicas que vinham do céu nos embalavam. Eu era mais uma ali pedindo os teus braços. De repente viestes sobre mim com o teu amor, pusestes a mão sobre meu corpo e me entregastes as nações, eu não pude resistir, escorreguei como uma cachoeira sobre as pedras, fixei-me em teus pés, a dor que sentia era absurdamente intensa, era como se todos os órgãos do meu corpo resolvessem trocar de lugar. Eu não era mais eu. Até que desprendi-me e quando vi, arrastando-me sobre o chão com a mão sobre o útero, sem ar, sem fôlego, eu podia ouvir as almas clamando por ti, eu ouvia choro de nascimento, avistava os sorrisos, a paz, o descanso, eu observava você provocando toda a mudança. Almas vazias pediam por socorro, pediam por atenção, pediam por teu amor. Então eu larguei, larguei todos os meus sonhos, larguei minhas vontades, meus anseios, larguei o meu eu e concentrei-me em você, apeguei-me a cruz e entendi que você quer que sejamos como ele, que vençamos como ele, que assumamos nossa identidade e nos voltemos a ti, só quer antes de obediência, amor. Como criança conhecendo o novo, me pus em teu colo, recebi sussurros de ânimo e a certeza de que sou sua. Ah, Deus, não me importa mais nada, desde que nossos corações estejam sempre interligados, eu estarei bem. Não posso destruir a vida que construiu, pois se viva estou foi porque um dia olhastes para mim e me escolhestes. Por amor a ti, eu vou, eu largo tudo, eu largo minha vida, para viver a sua. E mesmo que eu seja traída, cuspida e crucificada, vou estar bem, com a certeza de que fiz tudo por você, como antes você fez por mim. Here I Am.

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